Mastigar este pão, com dentes de escrita.
Paul Celan
Mastigar este pão, com dentes de escrita.
Paul Celan
Papel em Branco.doc
AK-47
Cimitarra
Um sorriso
Falso
Cheques e Xeques
De Valor
As armas ferem os outros mais que você
(Porque o ti é feio aqui)
Sempre
Menos um papel em branco
A pior das Armas
A sedução
Da luxúria das Canetas
À castidade dos Lápis
O Papel em branco
A Anti-arma final
Te defende de tudo
Mas nunca poderá salvar
Você de si Mesmo
O Papel em Branco
É o ponto final
Da retórica
Humana
O Papel em branco é
Segundo antes do
Espelho
Segundo, Segundo ou Segundo?
Antriguidade!
ElÈtrica
VocÍ È um volt de alegria
Que pulsa
Repulsa a idÈia de fechar os olhos
Embriagada pelo sono do dia mais cinzento
O dia mais cinzento de hoje
Revirando um arquivo velho, encontrei isso.
Quantos anos será que tem? Muitos.
Postando tal como encontrado. Não formatado e inacabado:
3_marco.txt
Chovia
Uma chuvinha doce
CaÌa como quem n„o quer nada
E n„o queria mesmo
E se fez valer
N„o pelos que a viam e reclamavam
Reclamavam
Reclamavam
A chuvinha valeu
Pelo prazer que todos tiverem em chegar em casa
BalanÁar a cabeÁa
____
Dizem que um dia, no baile, a Saudade apareceu toda triste. Foram ver o que acontecera. E n„o È que a choradeira geral comeÁou? Bu·s pra c· e pr· l·.
Mas l· no cantinho, enganando as l·grimas, a esperanÁa olhava pela janela o cÈu chuvoso.
João ficou feliz quando descobriu que as férias eram o ctrl+z da vida escolar.
João, uma criança pensativa.
(…)
Amar é pensar.
E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela.
Tenho uma grande distracção animada.
Quando desejo encontrá-la
Quase que prefiro não a encontrar,
Para não ter que a deixar depois.
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero. Quero só Pensar nela.
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar.
In: O Pastor Amoroso - Alberto Caeiro
Uma singela homenagem do Bloco àquela que todos, sendo humanos, vão conhecer.
Noiva em vestes negras, festeje que hoje é teu dia. E de todos os enxadristas derrotados.

Bergman – O Sétimo Selo
E é só isso? Disse o Ébrio.
É. Só isso. Disse o Sóbrio
Entre haver e ter, há, tem uma tensão que não cessa. Confio em quem haliza no lugar de terizar.
Houve um tempo em que tive um tempo de ter. Hoje sobra a sobriedade sobre o signo de haver.
Hei de ter uma resposta? Terei de me haver com ela? Tive de ouvir que falsa postura havia tido.
Ser e estar, estranha distinção invade os átrios e ventrículos de quem tem de se haver com a falta.
A idéia era fazer um post de uma menina que acordava de manhã e a Epifania estava a persegui-la. Ela, então, sairia correndo para se esconder. Antes, vestiria suas sapatilhas e vestido creme-baunilha. Nossa, como ela seria bonita! Cabelos curtos, olhos cheios de curiosa vergonha, pele cor de moldura de quadro. Cheia. Fértil. Viril. Feminina à exaustão: Uma estátua.
Tentaria primeiro no quarto de coisas do quotidiano. Mas era tão apertado, que se a Epifania chegasse por qualquer das suas mini-janelas, ela estaria acabada. Iria para o sótão das lembranças. Cheio de retratos empoeirados. Lá poderia ficar por muito tempo. Mas afinal, ela iria acabar ficando entediada e começando a rever suas fotos antigas, encontraria a foto dele. Que a faria lembrar daquela tarde estúpida, e as palavras nunca ditas… e enfim, era a Epifania novamente que começava a romper a tranca de zinco.
Restava sair de casa, foi para o Jardim das Sensações. Lá, iria tocar cada flor-sensação, cheirar as cores e texturas até a criatividade acabar. Neste instante ela viria um cavalo branco correndo em sua direção. Era o cavalo da linguagem. O veículo que poderia livrá-la de seu algoz. Se cavalgasse o suficiente, sairia daquele país do pensamento. Terra de estranhas leis.
Subiria à linguagem, e força-la-ia. Faria-a correr, soar, cansar, torcer-se, morrer e ressuscitar. Até que o cavalo da linguagem, pégasus do sentimento viraria.
Alçaria vôo. Iria à lua do amor, ao sol da paixão. Visitaria cada estrela do coração.
Sob seus pés, as lágrimas da Epifania regariam sem pressa algumas margaridas.
Viraria solidão.