A fuga

By Pedro A.

A idéia era fazer um post de uma menina que acordava de manhã e a Epifania estava a persegui-la. Ela, então, sairia correndo para se esconder. Antes, vestiria suas sapatilhas e vestido creme-baunilha. Nossa, como ela seria bonita! Cabelos curtos, olhos cheios de curiosa vergonha, pele cor de moldura de quadro. Cheia. Fértil. Viril. Feminina à exaustão: Uma estátua.

Tentaria primeiro no quarto de coisas do quotidiano. Mas era tão apertado, que se a Epifania chegasse por qualquer das suas mini-janelas, ela estaria acabada. Iria para o sótão das lembranças. Cheio de retratos empoeirados. Lá poderia ficar por muito tempo. Mas afinal, ela iria acabar ficando entediada e começando a rever suas fotos antigas, encontraria a foto dele. Que a faria lembrar daquela tarde estúpida, e as palavras nunca ditas… e enfim, era a Epifania novamente que começava a romper a tranca de zinco.

Restava sair de casa, foi para o Jardim das Sensações. Lá, iria tocar cada flor-sensação, cheirar as cores e texturas até a criatividade acabar. Neste instante ela viria um cavalo branco correndo em sua direção. Era o cavalo da linguagem. O veículo que poderia livrá-la de seu algoz. Se cavalgasse o suficiente, sairia daquele país do pensamento. Terra de estranhas leis.

Subiria à linguagem, e força-la-ia. Faria-a correr, soar, cansar, torcer-se, morrer e ressuscitar. Até que o cavalo da linguagem, pégasus do sentimento viraria.

Alçaria vôo. Iria à lua do amor, ao sol da paixão. Visitaria cada estrela do coração.

Sob seus pés, as lágrimas da Epifania regariam sem pressa algumas margaridas.

Viraria solidão.

Uma resposta para “A fuga”

  1. Tati Disse:

    E quando eu penso que tudo de lindo já saiu dessa cabecinha…Surpresa! Parabéns, querido. Esse até doeu.

Deixe uma resposta