A idéia era fazer um post de uma menina que acordava de manhã e a Epifania estava a persegui-la. Ela, então, sairia correndo para se esconder. Antes, vestiria suas sapatilhas e vestido creme-baunilha. Nossa, como ela seria bonita! Cabelos curtos, olhos cheios de curiosa vergonha, pele cor de moldura de quadro. Cheia. Fértil. Viril. Feminina à exaustão: Uma estátua.
Tentaria primeiro no quarto de coisas do quotidiano. Mas era tão apertado, que se a Epifania chegasse por qualquer das suas mini-janelas, ela estaria acabada. Iria para o sótão das lembranças. Cheio de retratos empoeirados. Lá poderia ficar por muito tempo. Mas afinal, ela iria acabar ficando entediada e começando a rever suas fotos antigas, encontraria a foto dele. Que a faria lembrar daquela tarde estúpida, e as palavras nunca ditas… e enfim, era a Epifania novamente que começava a romper a tranca de zinco.
Restava sair de casa, foi para o Jardim das Sensações. Lá, iria tocar cada flor-sensação, cheirar as cores e texturas até a criatividade acabar. Neste instante ela viria um cavalo branco correndo em sua direção. Era o cavalo da linguagem. O veículo que poderia livrá-la de seu algoz. Se cavalgasse o suficiente, sairia daquele país do pensamento. Terra de estranhas leis.
Subiria à linguagem, e força-la-ia. Faria-a correr, soar, cansar, torcer-se, morrer e ressuscitar. Até que o cavalo da linguagem, pégasus do sentimento viraria.
Alçaria vôo. Iria à lua do amor, ao sol da paixão. Visitaria cada estrela do coração.
Sob seus pés, as lágrimas da Epifania regariam sem pressa algumas margaridas.
Viraria solidão.
1 Novembro , 2009 às 8:56 am |
E quando eu penso que tudo de lindo já saiu dessa cabecinha…Surpresa! Parabéns, querido. Esse até doeu.