Posts de Julho, 2009

Feno

31 Julho , 2009

Teseu pegou sua nau e saiu pra curtir a night. Despreocupado, achou que navegava sozinho em águas calmas.

Mal suspeitava ele que sua esposa Antitesegona, prima pobre e quase esquecida de Antígona, espreitava-o em sua embarcação.

Depois de horas de brigas, à deriva no mar, amaram-se com saudade e vontade.

Nove meses depois nascia Sinteseu.

Sinteseu será uma criança feliz
E mui saudável, disse o oráculo.

Poseidon foi quem o batizou.

No mar concebido.
No mar vivido.
No mar vivi
No mar vi
No mar
Normal
No mal

Nodal

L’amour

26 Julho , 2009

Egeu e Dédalo, sentados ao pôr-do-sol, chegaram a conclusão que essa coisa toda de amor era meio estranha.

Pediram então para Lupércio deixar um pouco as cabras e ninfas e vir ter com eles.

O pastor chegou atrasado como sempre e com um guardanapo de papel, desses de boteco, bem amassado e sujo. Mas com uma poesia.

Traduzida do grego antigo, ficaria mais ou menos assim:

Bulhufas!
Capitães errantes, ouvi
Tudo o que há de ser dito sobre o tal
Amor
É hoje
Já dito

Resta apenas
Fingir que sentimos
O que achamos que os outros
Já sentiram
E escreveram

Amor é uma mentira de 500 anos
Bem quotada, mal contada
Existiu apenas antes
Da palavra
Amor
A
Mor
Te
A
Mo
R
Te
A
Mor
Ta
Lha
Ta
Lha
O A
Mor
E a
Mor
Te
Doa
Amor
Doa
a
Quem
Do
Er
Doa
à
Quem
Do
Er
Do
A, à
Quem
Do
Er
De A
A
Quem
Do
Er

Egeu respirou fundo e disse:
Que lixo.

Pour Robespierre

26 Julho , 2009

Há exatamente 215 anos Robespierre fazia seu último discurso para a Convenção Nacional, alegando ter uma lista de traidores a ser lida na próxima Assembléia. Condenado no dia seguinte, o jacobino foi guilhotinado dois dias depois por ser considerado um traidor da revolução.

Já preso e certo de seu destino, tentara matar-se com um tiro de pistola. Elegantemente portando um curativo em sua mandíbula, o suicida mal-sucedido foi levado sem resistência para a guilhotina. Instantes antes de ter a lâmina sobre o pescoço, o carrasco arranca-lhe a bandagem e ainda hoje diz-se que seu grito de dor pôde ouvido por milhas.

Disse em seus momentos finais, demonstrando certeza quanto ao pregado sobre Virtude e Terror, sobre seu epitáfio: A morte não é o sono eterno. Mandai antes gravar: a morte é o início da imortalidade!

Bob, seu safado. Vá cortar cabeças em outra vizinhança, que a Revolução é morta. Longa Vida à Revolução!

E feliz 8 de Thermidor para todos.

Nota Mental

25 Julho , 2009

Prozac rima com Balzac

Do passado

25 Julho , 2009

É legal encontrar coisas que escrevemos e esquecemos. Mesmo que ache que ficou ruim, que você se veja diferente, ou que não se reconheça na criação, é legal.

Encontrei um poema perdido aqui.

Ouvi que você não gosta de receber Flores

Certo ou Errado, sigo aqui irritando
E te dou, escondida entre palavras,
Sua Rosa

Não é branca, bonita ou vermelha
Não cresceu entre pedras
Ou no deserto
Cresceu em terra, terra comum
Terra que suja, terra de lama
Terra roxa

Mas sua rosa é diferente

Não é um botão que se compra na rua
Nem destes de feira, concurso de beleza
Porque eu plantei essa rosa prá você
E só prá você

Rosas
Seu sentido e beleza se resume em uma palavra
Tempo

Por um lado, passam os séculos, morrem os homens
E a rosa está e estará sempre lá.
Nascendo na mesma estação
Morrendo na mesma estação

Mas pelo outro lado…
Só podemos enxergar beleza na rosa
Quando sabemos que ela, cedo ou tarde,
Morrerá

Como tudo que é bom
Como tudo que vale a pena
Seu valor é sua finitude

E o Tempo da sua rosa está acabando
O último verso, implacável
É a prova de que sua rosa é real
Não é de plástico, não é de vidro

É de palavras

E a cada nova leitura
Terá nova rosa
E quantas mais quiser
Desses pobres versos
De um menino que tem imenso carinho por você

Nós somos como rosas
Existimos com hora marcada
E só assim seremos
Felizes

Ouvi que você não gosta de receber Flores

Momento

24 Julho , 2009

Um amigo leu e disse que era muito a minha cara.

angular_momentum

Eu não posso discordar. Não me deixo concordar. Conjunto vazio.

Fonte: http://xkcd.com/162/

A pergunta

24 Julho , 2009

Em um café na Galiléia, Ló e Jacó conversavam sobre a vida.

E eles tomavam um café porque naquele tempo era tudo um pouco mais fácil e não se tinha muito pra fazer, além de rezar, ter filhos e realizar as coisas que Jeová pedia. Sim, naquela época Deus era mais ‘papo reto’. Ele ‘chegava junto’ da galera e pedia as coisas. Se você fazia, legal. Era parte do povo escolhido. Se você não fazia… bem, você virava uma estátua de sal.

Temendo transformarem-se em amontoados de cloreto de sódio, Ló e Jacó preferiam evitar a cachaça, já bastante popular entre os hebreus. Mas fazia frio na Galiléia e, sem poder tomar uma branquinha, nada melhor do que um bom café colombiano torrado para espantar o sono e as tremedeiras.

Falavam sobre muita coisa. Dança, música, economia, artes, esportes e as últimas notícias da babilônia eram seus assuntos preferidos.
Mas eis que Jacó, após seu vigésimo café, lança uma pergunta que deixou Ló pensativo. Ló ficou pensando, em silêncio, sobre aquela pergunta por meses. Ou anos. (Essas coisas na bíblia nunca são claras).

Eis que após muito tempo, reencontrou o Pré-Israel e disse:

-Não sei. Só sei como quero passar meu último dia aqui no velho testamento. E não é com a minha mulher. Nem com as minhas filhas (Resmungou: pilantras…). Mas antes, caminhando até o fim d’ocaso de minha vida, junto àquela que do nada fez palavra. Fez falar o mudo e calar-se o mundo.

Jacó, desbarrando o amigo, disse em tom blasé:

-Engraçado, pois foi exatamente isso que eu NÃO te perguntei…

Ló voltou a pensar sobre a vida. Fechou-se em uma cabana no deserto e cumpriu seu destino.

Virara pão.

Humanos

23 Julho , 2009

Por vezes, esses bípedes fazem parecer que é fácil ser feliz.

Ai Schopen se você soubesse do mundo!

O pó, o pode e o pi

23 Julho , 2009

Ante tal cacofonia

Só resta ao palco alegria

A cortina empoeirada cria

Um cheiro de talco, alergia

-DESISTÊNCIA-

Murilo descobriu ao atravessar a rua que:

-Carros (não) esperam;

-Mulheres de vermelho são perigosas;

-E que tudo na vida é uma questão de como você vai cercear sua própria liberdade. É simples. Qualquer escolha – qualquer – é sempre uma escolha de por onde você não mais vai se permitir fazer algo. Atravessar a rua é não ficar parado. Fazer direito é não se deixar fazer errado. Prestar direito é não ser arquiteto e pintar a casa de amarelo é proibir-se de viver numa casa azul;

-A vida é muito longa quando se atravessa a rua;

Murilo comprou um sorvete de milho verde, uma aspirina e foi feliz por 3 minutos e quatorze anos.

Lembrou-se do pi e sorriu.

Piosenka

20 Julho , 2009

Uma música sobre o mar.

Porque navegar é preciso.

Morza i Oceany – Agata & Joanna Zajączkowska