Posts de Março, 2009

Xis pertence a Quê

30 Março , 2009

Faz tanto tempo que eu não falo de verdade com você
E só percebi isso hoje
Eu só troco palavras, respostas prontas
Devem ser só umas 5 ou 6 ao todo.

Não nos falamos há tempos

Não sei quem escolheu isso
Ou tinha que ser assim
For both of us sake

Era a única resposta possível no universo dos Números Racionais.
E a única coisa que fazem é cumprir sua polissemia: Pensar e Dividir

Interpretando cada um ao seu modo,
Você se pensou para poder dividir
Eu me dividi para poder pensar

A verdade é que meu número era, desde o começo, Imaginário
E o teu, complexo

(De hiperfeição)

500 Days of Summer

29 Março , 2009

This is not a love story.

Qualquer semelhança é mera neurose de destino.

Fernando: O gerúndio perfeito

23 Março , 2009

Fragmento de uma carta a Ophelia,
Fernando Pessoa
29/XI/1920

(…)

Quanto a mim…

O amor passou. Mas conservo-lhe uma affeição inalteravel, e não esquecerei nunca – nunca, creia – nem a sua figurinha engraçada e os seus modos de pequeneina, nem a sua ternura, a sua dedicação, a sua indole amoravel. Pode ser que me engane, e que estas qualidades, que lhe attribúo, fossem uma illusão minha; mas nem creio que fossem, nem, a terem sido, seria desprimor para mim que lh’as attribuisse.

Não sei o que quer que lhe devolva – cartas ou que mais. Eu preferia não lhe devolver nada, e conservar as suas cartinhas como memoria viva de uma passado morto, como todos os passados; como alguma cousa de commovedor numa vida, como a minha, em que o progresso nos annos é par do progresso na infelicidade e na desillusão.

Peço que não faça como a gente vulgar, que é sempre reles; que não me volte a cara quando passe por si, nem tenha de mim uma recordação em que entre o rancor. Fiquemos, um perante o outro, como dois conhecidos desde a infancia, que se amaram um pouco quando meninos, e, embora na vida adulta sigam outras affeições e outros caminhos, conservam sempre, num escaninho da alma, a memoria profunda do seu amor antigo e inutil

Que isto de “outras affeições” e de “outros caminhos” é consigo, Ophelinha, e não commigo. O meu destino pertence a outra Lei, de cuja existencia a Ophelinha nem sabe, e está subordinado cada vez mais á obediência a Mestres que não permittem nem perdoam.

Não é necessario que comprehenda isto. Basta que me conserve com carinho na sua lembrança, como eu, inalteravelmente, a conservarei na minha.

Fernando

Hora de Sublimar

23 Março , 2009

Le savoir est un fantasme qui n’est fait que pour la jouissance.

J.L.

Redes-cobertas

19 Março , 2009

E não é que achei um CD aqui em casa, dado por uma amiga, com um bocado de músicas boas?

Lá vai uma:


Agora é uma questão de semanas.

Miau

17 Março , 2009

Dizem que a racionalização é um mecanismo de defesa.
Mentira.

O que eu posso fazer, se a melhor forma de expressar uma determinada situação é dizer que naquele momento o gato de Schrödinger está vivo e morto?

É tudo uma questão física.

Puxando o R

16 Março , 2009

Erra uma vez, em uma terra muito distante, um rapaz chamado chaveiro.
Seu errar foi elementar: não querer errar.

E com toda porta erra a mesma história, que tava mais pra estória. Na verdade mais pra escória.
Tratava cada fechadura ‘com tal zelo’, que erram noites e dias a pensar na chave perfeita, de encaixe suave e silencioso. Que a chave erra que virava o mundo ao seu redor, pra mó de abrir a porta.

Mas o chaveiro sabia no fundo que o que importa, no fim do dia, é se a porta vai estar trancada ou não.
Chave-de-fenda, clips, arrombamento. Pouco importa na terra muito distante.

E mais uma vez, sentado, contempla o chaveiro a porta vermelha ao ocaso.
Com uma mão cobre sua chave, com a outra segura o rosto.

Era mais um dia nos dias do chaveiro.