Nossa. Foi quase-meio-que-um-pouco messianico.
Descobri esses dias que fazia muito tempo que não lia poesias. Tipo, muito tempo.
Tentei conectar esse fato ao fato de que não conseguia mais escrever. Achei razoável.
Bem, lá fui eu ler Fernando Pessoa. E qual não foi minha surpresa, quando abri o livro, lá estava um papelzinho (A8), de propaganda dos “pastéis do oshiro”, que do outro lado, tinha uma velha poesia que tinha quase me esquecido completamente.
“É mui difícil senhoria
Dizer por certo com maestria
Qual alvo é o mais branco
Dos mais brancos o mais claro
Claro que são os dos olhos dela
Dirá o romântico
Afinal, se de todas, é a mais bela
Seu branco é o mais puro
Mas quando se olha o céu escuro
Um branco enche a vista tua
É o branco da lua
Nunca vou saber qual é o mais branco
Porque quase nada rima com branco
Barranco, tamanco, manco, banco, flanco”
Ai que dó de não poder corrigir uma virgula! Que vergonha!
Vergonha.