Posts de Novembro, 2008

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30 Novembro , 2008

Paris, 23 de março de 1951

Querida,

Nem com as mil palavras que eu ensaiei poderia desculpar-me por ontem. Eu nunca deveria ter gritado com você. Aquele vaso pela janela, sabemos, foi um erro. Mas é que tudo foi acontecendo derepente, e quando dei por mim já estava enfurecido, lhe empurrando com força e batendo em você.

Você sabe que aquilo doeu mais em mim do que em você.

Sabemos que nenhum de nós é inocente nesta história toda, odeio com todas as minhas forças sua ironia fina, e seu desdém falso. Bem sabe que são eles que acendem meu pavio.
Curto.

Tenho certeza que aquelas coisas que você me disse sobre nunca mais nos vermos e para eu sumir de sua vida foram apenas fruto da raiva, coisa de momento.

Aguardo impacientente seu retorno. Bem sabemos que Coimbra não é lugar para você. Deixa tua mamãezinha e volte para quem te ama.

Um grande beijo
Antônio Anônimo

Acertei!

29 Novembro , 2008

Nossa. Foi quase-meio-que-um-pouco messianico.
Descobri esses dias que fazia muito tempo que não lia poesias. Tipo, muito tempo.

Tentei conectar esse fato ao fato de que não conseguia mais escrever. Achei razoável.
Bem, lá fui eu ler Fernando Pessoa. E qual não foi minha surpresa, quando abri o livro, lá estava um papelzinho (A8), de propaganda dos “pastéis do oshiro”, que do outro lado, tinha uma velha poesia que tinha quase me esquecido completamente.

“É mui difícil senhoria
Dizer por certo com maestria
Qual alvo é o mais branco
Dos mais brancos o mais claro

Claro que são os dos olhos dela
Dirá o romântico
Afinal, se de todas, é a mais bela
Seu branco é o mais puro

Mas quando se olha o céu escuro
Um branco enche a vista tua
É o branco da lua

Nunca vou saber qual é o mais branco
Porque quase nada rima com branco
Barranco, tamanco, manco, banco, flanco”

Ai que dó de não poder corrigir uma virgula! Que vergonha!

Vergonha.

Diani di Prima – Revolutionary Letters

25 Novembro , 2008

Amigos,
Ouçam com o coração, o que com o coração foi escrito.

Diani di Prima – Revolutionary Letters

A trivialidade desafinada e a culpa púrpura

23 Novembro , 2008

Nós caminhávamos lado-a-lado
Não juntos, mas em zigue-zague
Como o lado-a-lado pressupõe

Um desavisado primeiro olhar
Diria que foi a cerveja, o vinho, a cocaína, a tatuagem ou alguma canção de amor
Mas não foi

Nada mais era do que um momento bom
Despreocupado em sua medida, um momento bom
Bom, momento bom
Como todo bom momento
Acaba

Acaba em si
E acaba com
O pequenino sonho da falsa liberdade
Que um “self-service” do passado traría

Nunca saberei se te amo
Te gosto ou só me engano
Mas tantas foram as entre nós
Que mais que um oceano, hoje um relógio nos separa

Um relógio acelerado
Um relógio que só fala do passado
Um relógio que não mostra a hora

Só mostra os anos
E reflete as cicatrizes
Em seu espelho riscado

Veja pelo lado positivo, é um relógio de corda.

Em trem

9 Novembro , 2008

Homófonas!
Todas vocês soam iguais! Palavras sem o mínimo respeito por si
Cacofoneiam significados surdos
Afasicas!

Odeio, amo e reverbero
Todas as palavras vazias
Pois só as palavras que não falam nada
Podem dizer alguma coisa
Alguma cousa das verdades desse mundo
Desse meu mundo perdidamente
Ágrafo