Posts de Setembro, 2008

Aconchegante

30 Setembro , 2008

Paralisado.
Levando vários curtos momentos que demoram para passar, talvez agora comece a escrever algo que vá ficar. Talvez não.
Acho que o que mais paralisa é a simplicidade do que tenho para dizer. Fico então dando voltas e voltas para escapar de um final inevitável e paroxítono.
Como é bom sentir-se cuidado. Não falo de um cuidado qualquer, mas daquele fruto de um olhar mais atento, ainda que não consiga colocar em palavras ou explicar, segue passo a passo a receita pra te deixar sem palavras e, enfim, bem.
Hoje eu ganhei um presente. Eu nem sei explicar qual foi. Não me deixei enganar pelos representantes físicos, vamos dizer que eles sejam o símbolo do presente. Não existe presente a-simbólico, mas apesar de amar e me agarrar aos símbolos, lá no fundo eu sei que o que aquece o coração é o movimento. É o contexto em que os símbolos existem, seus motivos diretos e indiretos, reais ou falsos. É como que se deliciar imaginando todos os pequenos detalhes que levaram àquele resultado. Por mais que tenha, aparentemente, sido impulsivo, ou considerado como pequeno pelo seu autor. Talvez o que importe mesmo seja o efeito. Como a Lua, que parece enorme quando nasce. E daí que é uma ilusão de ótica! É linda pô!
Pense nos presentes mais gostosos da sua vida, que seriam eles sem contexto? Quanto à mim seriam ocos, palavra-vazia.
Não se trata aqui de reduzir os representantes simbólicos do presente! Longe disso! É que ainda vou degustá-los. Por hora, fica a alegria de saber que mesmo na tarde mais fria, uma amiga sempre pode te trazer um raio de sol que dura por dias.

Obrigado.

Etapas de la Vida de la Mujer Perfecta

29 Setembro , 2008

No llores tanto. No te mojes otra vez. No te chupes el dedo. Duérmete mi sol.

No seas una bebé malcriada.

No toques todo. No rompas nada, no grites así . No te comas las uñas.

No seas una criatura tan traviesa.

No me desobedezcas. No contestes de ese modo. Eso no se dice, eso no se hace.

No seas una niña problema.

No escribas con la mano izquierda. No salgas del renglón de doble raya. No pintes de azul el caballito. No dejes de usar el uniforme.

No seas una alumna diferente.

No andes con esas amistades. No te pongas esa ropa horrible. No te portes como una cualquiera. No confí es en ellos; solo quieren una cosa.

No seas una jovencita rebelde.

No tendrás otro dios más que a mí . No gastes tanto. No seas tan celosa. No plaguees más.

¿No sabes cocinar otra cosa?

No seas una esposa fastidiosa.

No revises mis cajones. No me aconsejes a tu estilo. No me des más sermones. No me digas “yo te dije”.

No seas una madre cargosa.

No olvides tu medicina. No pierdas otra vez los anteojos. No comas eso que te hace daño. No repitas otra vez la misma historia. No lleves el gato a la cama.

No seas caprichosa, abuela.

Dirma Pardo Carugati

Pronominações Discursivas

26 Setembro , 2008

Um tostão para aquele que souber usar o pronome (é um pronome?) Ti de forma adequada, estética e natural.

O Homem Acrílico

24 Setembro , 2008

As vantagens e desvantagens da sorte
Enfileiradas, trocando uma idéia
Esperando a sua vez no ponto

Mas sabe como é,
Repartição Pública
É tudo uma questão de quanto tempo você vai querer esperar
Quanto tempo até você chegar?
Chegar ali, na boca do caixa

-ruptura-

Só quem é feliz no simbólico
Conhece o desespero de não conseguir chorar
O Desespero de não chorar
De ter um nó na garganta
Um nó na garganta
Re
    Ti
        Cen
              Te

Lágrimas
Lembranças de um pretérito mais-que-perfeito

Poema escrito em um nobre celular

19 Setembro , 2008

Sexta a noite e ela está sozinha
E ela está sozinha

E é a única sozinha na mesa do bar
Bem vestida, encolhe-se e sorri para o garçom
Ela está sozinha

Bebe em silêncio, fazendo da pressa uma espécie de pecado
O pecado de ser percebida
Quanta vergonha de fazer o que ela faz
Sozinha
Beber

E lá todos sorriem,
Ela também
Um sorriso curto
Um sorriso morno
Um sorriso de quem sabe o que perde

Mas ainda sim ela sorri
Sorri porque sabe que em algum lugar da cidade
Em algum lugar da cidade
Em algum lugar da cidade
Está seu amor. Seu amor de um dia
Que nem o rosto quer conhecer agora
Nem o rosto, nem o rasto e nem o resto

Ela sabe que amor não existe no tempo
Nem no espaço existe
Sabe dos amores longos, dos curtinhos
Dos amores de amasso no muro, muro, longo muro
Dos amores de vagão de metrô
De vagão de metrô, sabe?
Dos amores de balada
Dos amores de criança
Os amores de criança
De menina
Os poucos
E muitos
Amores de Mulher

Mas ainda sim ela sorri
Sorri porque sabe que o Amor só existe
No Plural
Na longa linha do tempo
Sempre pra frente e pra trás

O Amor só faz sentindo
No Plural

Era, enfim, uma menina aprisionada no mundo dos Poemas…

All I Want – Joni Mitchell

15 Setembro , 2008

Tudo o que eu quero
É um filme romântico
Dublado
Dublado, e mal dublado

Deixar os Dublinenses e seu críticos
A ver navios

Tudo o que eu quero é você
Tão linda no vestido branco
O vestido mais simples que eu já vi
Também pudera…
Tão simples e bonito quanto o segundo gole d’água depois da sede
Perfeito
Necessário
Irracional

Tudo o que eu quero é você
Mas antes, preciso dum mamão com açucar
Craquelando tudo o que vê pela frente
Num coração

No tempo do beijo
No tempo carinho
No tempo que cabe dentro do tempo

É sempre tarde
É sempre tarde quando Inês é Morta.