A única saída

7 Novembro , 2009 por Pedro A.

Mastigar este pão, com dentes de escrita.

Paul Celan

Arquivo: Papel em Branco.doc

2 Novembro , 2009 por Pedro A.

Papel em Branco.doc

AK-47

Cimitarra

Um sorriso

Falso

Cheques e Xeques

De Valor

 

As armas ferem os outros mais que você

(Porque o ti é feio aqui)

Sempre

 

Menos um papel em branco

A pior das Armas

A sedução

Da luxúria das Canetas

À castidade dos Lápis

 

O Papel em branco

A Anti-arma final

Te defende de tudo

Mas nunca poderá salvar

Você de si Mesmo

 

O Papel em Branco

É o ponto final

Da retórica

Humana

 

O Papel em branco é

Segundo antes do

Espelho

 

Segundo, Segundo ou Segundo?

Antriguidade!

Arquivo: meio poema.txt

2 Novembro , 2009 por Pedro A.

ElÈtrica
VocÍ È um volt de alegria
Que pulsa
Repulsa a idÈia de fechar os olhos
Embriagada pelo sono do dia mais cinzento
O dia mais cinzento de hoje

Arquivo: 3_marco.txt

2 Novembro , 2009 por Pedro A.

Revirando um arquivo velho, encontrei isso.

Quantos anos será que tem? Muitos.

Postando tal como encontrado. Não formatado e inacabado:

3_marco.txt

Chovia
Uma chuvinha doce
CaÌa como quem n„o quer nada
E n„o queria mesmo

E se fez valer
N„o pelos que a viam e reclamavam
Reclamavam
Reclamavam

A chuvinha valeu
Pelo prazer que todos tiverem em chegar em casa
BalanÁar a cabeÁa

____
Dizem que um dia, no baile, a Saudade apareceu toda triste. Foram ver o que acontecera. E n„o È que a choradeira geral comeÁou? Bu·s pra c· e pr· l·.
Mas l· no cantinho, enganando as l·grimas, a esperanÁa olhava pela janela o cÈu chuvoso.

Descoberta

2 Novembro , 2009 por Pedro A.

João ficou feliz quando descobriu que as férias eram o ctrl+z da vida escolar.

João, uma criança pensativa.

Análise

2 Novembro , 2009 por Pedro A.

(…)
Amar é pensar.
E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela.
Tenho uma grande distracção animada.
Quando desejo encontrá-la
Quase que prefiro não a encontrar,
Para não ter que a deixar depois.
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero. Quero só Pensar nela.
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar.

In: O Pastor Amoroso - Alberto Caeiro

Finados

1 Novembro , 2009 por Pedro A.

Uma singela homenagem do Bloco àquela que todos, sendo humanos, vão conhecer.

Noiva em vestes negras, festeje que hoje é teu dia. E de todos os enxadristas derrotados.

setimo_selo
Bergman – O Sétimo Selo

É só, brio.

1 Novembro , 2009 por Pedro A.

E é só isso? Disse o Ébrio.

É. Só isso. Disse o Sóbrio

Hei de ter

1 Novembro , 2009 por Pedro A.

Entre haver e ter, há, tem uma tensão que não cessa. Confio em quem haliza no lugar de terizar.

Houve um tempo em que tive um tempo de ter. Hoje sobra a sobriedade sobre o signo de haver.

Hei de ter uma resposta? Terei de me haver com ela? Tive de ouvir que falsa postura havia tido.

Ser e estar, estranha distinção invade os átrios e ventrículos de quem tem de se haver com a falta.

A fuga

31 Outubro , 2009 por Pedro A.

A idéia era fazer um post de uma menina que acordava de manhã e a Epifania estava a persegui-la. Ela, então, sairia correndo para se esconder. Antes, vestiria suas sapatilhas e vestido creme-baunilha. Nossa, como ela seria bonita! Cabelos curtos, olhos cheios de curiosa vergonha, pele cor de moldura de quadro. Cheia. Fértil. Viril. Feminina à exaustão: Uma estátua.

Tentaria primeiro no quarto de coisas do quotidiano. Mas era tão apertado, que se a Epifania chegasse por qualquer das suas mini-janelas, ela estaria acabada. Iria para o sótão das lembranças. Cheio de retratos empoeirados. Lá poderia ficar por muito tempo. Mas afinal, ela iria acabar ficando entediada e começando a rever suas fotos antigas, encontraria a foto dele. Que a faria lembrar daquela tarde estúpida, e as palavras nunca ditas… e enfim, era a Epifania novamente que começava a romper a tranca de zinco.

Restava sair de casa, foi para o Jardim das Sensações. Lá, iria tocar cada flor-sensação, cheirar as cores e texturas até a criatividade acabar. Neste instante ela viria um cavalo branco correndo em sua direção. Era o cavalo da linguagem. O veículo que poderia livrá-la de seu algoz. Se cavalgasse o suficiente, sairia daquele país do pensamento. Terra de estranhas leis.

Subiria à linguagem, e força-la-ia. Faria-a correr, soar, cansar, torcer-se, morrer e ressuscitar. Até que o cavalo da linguagem, pégasus do sentimento viraria.

Alçaria vôo. Iria à lua do amor, ao sol da paixão. Visitaria cada estrela do coração.

Sob seus pés, as lágrimas da Epifania regariam sem pressa algumas margaridas.

Viraria solidão.