O Pequeno Príncipe para…

29 Novembro , 2009 por Pedro A.

Cocaleiros:
Torna-te eternamente responsável por aquilo que cultivas

Economistas:
Torna-te eternamente responsável por aquilo que aplicas

Analistas lacanianos
Torna-te eternamente responsável pela barra que tocas

Acadêmicos
Torna-te eternamente responsável por aquilo que publicas

Lobbistas
Torna-te eternamente responsável por aquilo que arranjas

Estagiarias da casa branca
Torna-te eternamente responsável por aquilo que não engoles

Terroristas
Torna-te eternamente responsável por aquilo que explodes

Kayokos
Torna-te eternamente responsável por aquilo que… enfim.

Skinnerianos selvagens
Torna-te eternaMENTE responsável por aquilo que reforças.

Grupelhos de pseudo-esquerda da USP
Torna-te eternamente responsável, e ponto.

Summer e todas as mulheres astutas do mundo
Torna-te eternamente responsável pelo Tom e pelos homens românticos do mundo. E lhes dêem algodão doce.

Post em parceria com o vizinho de pandora.

Segredinho

29 Novembro , 2009 por Pedro A.

Enquanto voltava de metrô do trabalho para casa, ficava imaginando, não sem vergonha, como seria encontrar o amor da sua vida no vagão do outro metô. O que deveria fazer? Sorrir e tentar acenar para ela descer na próxima estação? Não, muito difícil… Tentar passar o telefone? Também não. Muito pouco tempo para ela anotar e muitos (sete) para guardar. Pensou em sorrir e gracejar durante o encontro e pegar o metrô sempre no mesmo horário. Era na verdade uma tática por dia, ou variações dos dias nos quais as táticas eram tão perfeitas que quase traziam seu sonho para mais perto da realidade.

Foram anos nos quais a volta para casa era um misto de desejos e planos. Os nove minutos e meio entre as três estações passavam rápidos por seus devaneios.

O fato é que durante aquele tempo, a fantasia era quem permitia João encarar a verdade única de que não encontraria o amor da sua vida. Este, de nome Maria, andava num corcel alado da VASP, muito acima das milhões de cabeças sonhadoras do metrô de São Paulo. Maria imaginava quando algum passageiro proporia-a em casamento, ali mesmo na ponte aérea.

É pena que João nunca olhou para cima, nem Maria para baixo.

Resposta Errada

29 Novembro , 2009 por Pedro A.

Nos meus recônditos sonhos, vem loira e grande a professora Carolina, professora de português. Pergunta, como num show para a TV, cujo prêmio ainda era desconhecido para mim:

Quem ama, ama…?

( ) Só
( ) Alguma coisa, alguém
( ) De alguma coisa, de alguém
( ) De alguma forma, de algum tamanho

Sofri pela dúvida, corei como coram as crianças e acordei pensando: Amar intransitivo que era, por vezes não ousava dizer o seu nome mesmo. Em tempos de transitividade indireta, sobra ao pobre tagarelar (de alguma coisa).

Tanto pior para os ouvintes, melhor para os surdos. Ou para os astutos que escolheram a cera no ouvido…

O cheiro

28 Novembro , 2009 por Pedro A.

As manhãs de sua infância não tinham cores ou sons. Antes, eram dotadas dos mais estranhos e fabulosos perfumes que a civilização foi capaz de descrever. E alguns outros mais. O cheiro de abraço de pai na biblioteca depois da chuva era do primeiro grupo. Qualquer um, com certo esforço, consegue imaginar este cheiro. Mas havia outros. O cheio de sonho com gorilas e despertar repentino antes do sol sair. Ou mesmo aquele perfume, quase de cravo amassado, de quando sua mãe contara sobre a queda de cavalo de seu irmão.

Os almoços antecipados do dia de retorno do campo tinham cheiro de madeira mastigada, ao passo que as chegadas exalavam um estranho odor de presente ciente de seu estatuto de passado – sentir o cheiro de bolo de milho e ter de sair antes dele ficar pronto…

Um infância muda em preto e branco. O resultado possível? Uma juventude intensa e contida.

Seu primeiro beijo foi um susto de gosto de borracha e olhos abertos. Tamanha era a paixão por Juan, mal conseguia entender o que se passara ali. Passou três noites em claro tentando compreender o que havia acontecido. Amava Juan, e ele a ela. Não haviam outros nas vistas ou corações deles. Eram aromas únicos que se misturariam pela primeira vez. O vilão da vez foi a timidez. Nossa heroína fingiu um mal-estar generalizado e conseguiu evitar a escola por alguns dias. Quando finalmente, teve que voltar a confrontar-se com seu desejo, tudo o que conseguia fazer era fugir do pobre garoto apaixonado. Juan, com todas as armas que tinha no auge dos seus 11 anos, tentou de tudo para conversar com sua Julieta: presentes, bilhetinhos mil, recados por amigas e até uma investida que terminou por uma perseguição ridícula no corredor das classes, terminando no banheiro feminino junto à lágrimas e frustração.

A adolescência não foi muito diferente. Dons, Juans e muitos outros passaram por sua vida sem deixar permanência, tal como os cheiros que lhe eram tão característicos. Diferente de uma foto, suas lembranças iam como aromas pelo vento. Lembrar era possível mediante muito esforço, mas sempre uma imaginação da memória-cheiro.

Preocupada com isto, resolveu mudar. Preparou, meticulosamente, seu retorno triunfal das férias como uma nova mulher. Uma mulher de cheiros, mas também de sons e cores. Sejamos sinceros: sua tentativa foi desajeitada, mal conseguia andar sobre os saltos, exagerara na maquilagem e no penteado. Mas como a ironia são as linhas tortas onde a vida é escrita, esquecera de passar perfume na noite de sua estréia, um barzinho com amigas.

Touts les garçons lui regardaient. Era, de fato, tão decidida em sua indecisão inodora! Sentada e bebendo a amarga (pela primeira vez amarga!) cerveja, começou a discriminar suas primeiras cores e sons… os braços castanhos de um rapaz à sua direita, os olhos verdes que gritavam seu nome e a melodia adocicada e ritmada do menino de jeans rasgado e camiseta branca que caminhava em sua direção amedrontado.

Pediu licença, e sentou. Conversaram por eternos 12 minutos.

Ninguém sabe o que aconteceu depois. Contam que daquele dia em diante, a moça dos perfumes sumiu no ar, e passou a visitar a imaginação dos apaixonados. Toda vez que tentam lembrar do cheiro de seus enamorados, é ela quem perfuma nossas almas, dotando o impossível de perfumes dos mais estranhos. Nós, iniciantes que somos na arte do olfato, acreditamos. Enquanto ela se diverte imaginando como deve ser a vida daqueles que abrem os olhos para poder cheirar…

500 dias de Ocaso

28 Novembro , 2009 por Pedro A.

500 dias com ela e Crepúsculo, além de serem frutos da mais-do-que-nunca articuladíssima Indústria Cultural e estarem bastante afinados na empresa de destruir nossa capacidade de sonhar, amar e imaginar, têm outra coisa em comum. São histórias de como a perversidade feminina pode assumir diferentes formas. De uma menina com um chapéu preto sob uma maçã verde decorando a casa à apática e limitada Bella, a maldade persiste: uma consegue foder com a vida dum cara super legal que gosta de Smiths, desenha bem e é apaixonado. A outra mexe com a cabeça – oh deus – de um vampiro de 109 anos. Como? Simples. Elas (assim como Ulisses e Juliette) jogam com as regras. Não mentem. Não fazem promessas que não possam cumprir. Não traem. A coisa toda é muito mais sutil. Elas dizem coisas ambíguas, brincam com os limites e, no final, tratam as coisas sempre como contratos. Frios e exatos, como elas.

Se o (ingênuo) Ulisses, então Odisseu, mentiu sobre seu nome para salvar a própria pele: Sou ninguém! Summer, esta sim astuta, não precisou mentir: Simplesmente Aconteceu. Observem a genialidade de nossa menina. Bella, a opaca, diz tudo que pode encher a cabeça de qualquer rapaz de minhocas, fica várias vezes boca-a-boca com o tal lobisomem, que está mais para Marcos Pasquim, e quando tudo parece que vai bem para o casal de conformação… bang! Ela volta para o inexpressivo e estúpido Edward, o vampiro bocoió.

Foram-se os tempos de vampiros malvadões e meninas que gostavam de cafajestes. Agora é tempo da astúcia, seja na forma da palidez de Bella ou na vitalidade de Summer. Vingança pelos anos de submissão? Talvez. Mas quem paga o preço são os meninos que cresceram ao som de Joy Division, assistindo Anos Incríveis e até hoje não entendem como funciona uma máquina de algodão doce.

Menos pior. Fica pelo menos um mistério nesse mundo onde tudo é fato, contrato e astúcia.

Parem, teses!

27 Novembro , 2009 por Pedro A.

Roland Barthes: Aquele que sabe usar parênteses.
Qualquer uso de parênteses após Barthes é plágio, antes, inócuo.

A Maré

27 Novembro , 2009 por Pedro A.

Amar é o esquecimento do passado, a não-certeza do presente e a ignorância do (irrelevante) futuro.

Semi-plágio

26 Novembro , 2009 por Pedro A.

Se o plágio não existisse, teriam de inventá-lo

Viu?

26 Novembro , 2009 por Pedro A.

Vi o lento
Violento
Vil, Lento
Virulento
Virilento
Vir à alento
Vira lento
Vir atento
Vi a tento
Via tanta
Violência…

Meio-Quase

26 Novembro , 2009 por Pedro A.

Reuniões são lugares onde adultos levantam questões já resolvidas pelas crianças.