É uma pena contente quando descobrimos que não demos valor à alguém ou a alguma coisa que este alguém pudesse nos proporcionar. Pena porque algo importante se perdeu. Contente porque é possivel agarrar-se em alguma coisa e dela tirar todo o proveito possível. É como rejeitar um doce maravilhoso, mas dar aquela garfada antes que ele se acabe. É sempre mais gostosa do que qualquer outra coisa.
Estou falando de uma professora.
“… o sujeito do inconsciente se constitui na e pela linguagem. Desta perspectiva, a linguagem não é instrumento de comunicação, mas a trama mesma que faz o sujeito. Tal formação aparece de modo evanescente, nos interstícios das palavras. No entre dois. Não há liberdade nesse surgimento, não há escolha. O sujeito não fala, mas é falado.”
“Quando há uma emergência de sujeito, há uma separação do Outro, de sua Lei, de seu desejo. (…) A iância, o buraco, o intervalo no qual o sujeito apareceu se fecha rapidamente, e o texto, falado ou escrito, retoma seu curso egóico, fechadinho, bonitinho, bem comportado, alienado na lingua e na gramática. A liberdade do sujeito é um sonho que dura pouco, e é bom que não dure, porque o risco é o de perder suas bordas, seus contornos, suas identificações nos momentos em que irrompe carregado da história de seu desejo, e desaparecer então sob o seu peso”
Qualquer post feito de madrugada mereceria uma aviso similar:
Tenho pra mim que tudo escrito de madrugada, tem um toque de verdade peculiar. Não se trata de ser mais ou menos verdadeiro do que o resto. Mas há um lado da verdade que só a madrugada pode deixar ver. Posto este pseudo-aposto, vamos à postagem.
Mas deixemos só o aviso por hoje. Já estou transbordando de verdades que queria esconder.
E eu sou um criminoso. Logo, vou utilizar uma frase, que tenho vaga noção do que significa, para explicar algo que tenho certeza que ela não quer dizer. “A regularidade de nossa linguagem impregna nossa vida”
Tenho um sério problema com vírgulas. Não que eu as esqueça, ou não goste delas. O enrosco é que abuso delas sem o mínimo pudor. É desleal mesmo. Quando há algum tipo de revisão, arrancá-las do lugar é o foco principal. E mesmo assim, pouco ajuda.
Mas isso não quer dizer que as desconsidere. Pelo contrário, na minha cabeça, ela tem um significado próprio, importante, mas todo torto, e quando coloco no papel, esqueço que no resto do mundo ela quer dizer outra coisa.
Paciência.
Agora o curioso, e aqui entra nosso amigo Witty e minha interpretação tendenciosa, é que existem vírgulas na minha vida. E sinto que estou saíndo de um grande aposto. Aposto esse que já se extendeu demais. Já é hora de voltar à minha oração subordinadíssima. Que não tem a mínima pretensão de encontrar seu ponto final tão cedo.
Carissíma,
É com muito esforço que escrevo esta carta. Preguiça. Devo confessar surpresa em receber, após tantos anos, uma carta de conteúdo tão intenso e fecundo. Fecundo pelas questões que levanta, questões de profundidade filosófica que muito me impressionam, mesmo vindas de você. A maturidade lhe trouxe inadjetivável brilhantismo argumentativo e de estruturação, embora lhe tenha levado muito da docilidade. Docilidade que lhe era tão cara. Que barganha feita com a vida pôde converter a Sra. de modo tão assustador no que foi apresentado na referida carta? Houve então um sofrimento grande o bastante para salgar todo um campo fecundo de felicidades e vivências afetivas indefectíveis? (Veja que minha queda por aliterações ainda se dá.) De minha parte, posso dizer que pouco ou nada mudou. O tempo trouxe resignação de práticas já enfraquecidas, e refinamento do que valia a pena. Envelheci. E só. Não creio que nada tenha sido para melhor.
Como sua capacidade de observação já deve ter lhe feito atentar, me restringirei aqui apenas à questões de foro teórico-reflexivos, deixando de lado esclarecimentos acerca de minha vida passada e presente. Odeio fazê-lo em texto. Bem sabe meu endereço. Se o carteiro consegue, tenho certeza que não encontrará dificuldades maiores para dizer tudo o que pensa, e ouvir tudo o que merece, sem o subterfúgio da tinta.
As próximas linhas serão dedicadas puramente às minhas pontuações sobre suas reflexões.
(rascunho)
Eu não sofro.
Só fomento a Estase
Recheada de um vício incurável…
De procurar alguém onde só se pode perder alguém
Alguém que já existiu
Em tantas pessoas…
E agora não passa de um Fantasma
Um Fantasma que não canso de procurar
Sem esperanças de
En
Contrar
Contra
Conta
Tão doce…
Docinho como quando se descobre no mesmo barco de tantos
Tantos outros
Tantos ou
Tânatos
Outros
Ou
Tu